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Livro: Vá aonde seu coração mandar

Uma avó que teve o relacionamento com a neta desgastado por razões adolescentes demais para uma mulher adulta escreve uma série de cartas que compõem este livro.

A avó já está numa idade avançada e vive apenas com o cachorro Buck, animal de estimação da neta. As cartas são escritas como que para “passar o tempo”, mas não serão remetidas à neta, pois ambas juraram não se comunicar quando a neta se separou da avó.

Nas cartas, a avó descreve coisas do passado e fala dos seus sentimentos de forma imparcial, comentando os erros cometidos pelas pessoas envolvidas nos episódios narrados – incluindo seus próprios erros – e procurando uma justificativa para o comportamento avesso da neta, além de lançar questões para que a neta repense sua postura rebelde, que na verdade servem para fazer o leitor refletir sobre as consequências dos seus atos, incentivando-o a tomar decisões baseando-se na coragem para ir aonde o coração mandar.

Livro: Sob o olhar de Deus – memórias de um cirurgião

Hans Killian foi um grande cirurgião alemão que pariticipou como consultor cirúrgico do 16º exército alemão durante a 2ª Guerra (de novo, a guerra!). Neste livro ele narra alguns episódios que marcaram sua carreira, todos eles envolvendo um caso de cirurgia, mas nunca tendo a cirurgia como o assunto principal. Seu assunto principal é sempre o ser humano! Todos os casos apresentados no livro são emocionantes, e isso só é possível por causa do foco na alma das pessoas.

Na época em que ele começou sua carreira (por volta de 1925) já se falava no problema do médico preocupado com a técnica, que esquecia o ser humano. Isto quer dizer que muitas vezes os médicos se perdem no meio de tanta informação referente a como curar as doenças, perdendo de vista o ideal de curar seres humanos. E o autor vai ainda mais longe: ele divide esta culpa com os pacientes, pois eles se conformaram em procurar um médico apenas para curar suas enfermidades.

Quando vemos alguém dizer (ou nós mesmos passamos por essa situação) que foi ao médico e ele nem olhou “na cara” do paciente, já nem nos espantamos mais. É apenas mais um caso. E olha que foi um médico “do convênio” (contradizendo o famoso bordão “eu estou pagando!”). Esse não é um médico como o Hans Killian.

Mesmo sendo leigo no assunto medicina, a abordagem humanística desta obra cativa o leitor. A narração feita com brio e humildade deixa claro que o autor tem consciência da grande responsabilidade ao ter nas mãos a vida de outras pessoas, mas não tem o poder total de curá-las, uma vez que cada caso é como uma luta do médico e o paciente contra a doença e a morte. Por isso ele descreve a sensação da sua primeira cirurgia como se estivesse sozinho, sob o olhar de Deus – daí o título da obra.

Para Hans Killian, inspirado por pensadores antigos, o médico tem que curar o corpo e a alma. A cura só acontece quando o indivíduo retoma sua posição na natureza. E para isso é necessário que o médico tenha mais que habilidades clínicas: é necessário ter habilidades humanas.

Eu gostaria que esse tipo de livro fosse leitura obrigatória nas faculdades de medicina. Assim teríamos menos médicos tão cheios de si cuidando de nós. Um pouco de humildade faria qualquer médico entender que “o médico trata, mas Deus cura”.

Livro: Eugenia Grandet

Eugênia Grandet é a filha de um vinhateiro sovina que atrai os holofotes da narrativa durante a maior parte do livro. Ele é tão avarento que não quer que a esposa nem a filha saibam da sua fortuna. Vive reclamando, dizendo que “não tem vintém”.

A história deixa claro dois pontos: a infelicidade daquele que tem o dinheiro como fonte de alegria e a felicidade daquele que não se apega  aos bens perecíveis, realizando-se ao ajudar aos outros.

Livro: A 25ª hora

O título do livro faz alusão a um momento onde todas as alternativas de socorro já não são mais possíveis, a última hora do dia já passou, não há mais nada que possa evitar a destruição do homem.

Essa introdução apocalíptica não é completamente minha. É a imagem passada por um dos personagens, um escritor. Ele cria o último volume do seu romance durante a história, entitulado, não coincidentemente, “A 25ª hora” – uma espécie de função recursiva, para os programadores que me lêem.

A história se passa em meio aos acontecimentos [sempre] bestiais de uma guerra, e o personagem principal é Iohan Moritz, um romeno que é levado injustamente a um campo de concentração de judeus na Romênia. A partir de então uma série de mal-entendidos faz que ele se passe por diversos campos de concentração em países diferentes, aos quais consegue sobreviver graças à sua ingenuidade e a companhia de seu amigo intelectual Traian Koruga – o escritor que deu o título ao livro.

É interessante como muitos autores levam seus personagens a situações extremas – como um campo de concentração ou um deserto – para mostrar os limites do Homem e a forma como somos levados pelo ambiente social em que vivemos a inverter os valores das coisas. Mas essa é uma reflexão que estou guardando para um próximo post sobre um livro que li há pouco tempo, mas que merece um cuidado especial para eu não seja injusto ao lhe escrever um resumo.

Keep smiling!

Livro: Um dia na vida de Ivan Deníssovitch

Neste livro, Ivan Deníssovitch Chukhov é um prisioneiro de guerra e a história conta um dia típico (ou atípico) que se passa no campo de concentração onde cumpre sua pena. O autor, Alexandre Soljenitsin, desenvolve a história com muita propriedade, pois foi prisioneiro entre 1945 e 1953. Aliás, foi exatamente durante o cumprimento de sua pena que ele decidiu escrever este livro.

Quem nunca esteve em um campo de concentração (principalmente como priosioneiro) tem uma ideia obscura de como deve ser a vida – ou a falta dela – lá dentro. E deve ser horrível mesmo. Mas não é assim que o autor mostra sua visão daquela prisão. Com um jeito “descolado” de narrar a história, algumas vezes em primeira pessoa e outras vezes em terceira, o autor mostra que é possível, mesmo estando em um lugar inóspito como aquele, ver o lado bom das coisas e encontrar nelas o prazer de viver, alimentando a esperança de chegar o dia de cumprir a pena e voltar à liberdade.

O desempenho de um trabalho feito com capricho, a apreciação de uma parca alimentação, a vantagem de negociar 200 gramas a mais de pão, a alegria de conseguir uma porção extra de kacha no almoço e a satisfação de ajudar os colegas no que for possível fazem com que Chukhov termine o dia se sentindo feliz por ter se dado tão bem e não ter apanhado ou ter sido mandado para a solitária. O autor mostra, desta forma, que a felicidade está, definitivamente, nas pequenas coisas da vida. Quantas pessoas livres e abastadas não se sentem felizes e não conseguem agradecer a Deus – mesmo não acreditando muito nEle, como Chukhov – por mais um dia de trabalho antes de dormir?

Livro: Ratos e Homens

Neste livro, Lennie e George são dois “peões”, como descrito pelo autor, que sempre andam juntos. Eles não tem família e nem onde morar, e vivem pulando de uma fazenda para outra, trabalhando e tentando juntar dinheiro para realizar o sonho que eles tem de comprar “um pedaço de terra” para “viver no bem-bom”. Eles tem plena consciência de que só tem um ao outro, como se fossem dois irmãos, sempre preocupados com o cuidado recíproco.

Eles nunca ficam muito tempo trabalhando e vivendo em uma única fazenda, porque Lennie, que tem uma força descomunal mas a mentalidade de uma criança, sempre acaba arrumando confusão, obrigando os dois amigos a fugirem de onde quer que estejam.

O personagem principal é Lennie. Com seu retardo mental, ele vive em função da fazenda que os dois sonham em conquistar, e seu principal objetivo é cuidar dos coelhos. Chega a ser cômica a forma como ele lembra dos coelhos a todo o instante. Ele não tem capacidade de lembrar de praticamente nada nem de avaliar o resultado das suas ações, mas esse sonho faz que ele perceba uma tênue linha que separa o que deve e o que não deve ser feito, para que George não o proíba de cuidar dos animais.


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Livro: O Peregrino

Eu pensei que já tivesse lido um livro com uma história maluca, mas esse aqui me surpreendeu. O Peregrino é uma obra de ficção que se passa em uma época razoavelmente avançada – o autor não cita o ano em que tudo acontece, mas é uma época em que uma instituição, denominada por seus opositores de “Tábula”, tem controle sobre todas as comunicações e movimentos de cada cidadão. Câmeras de vigilância espalhadas por todos os lados analisam os pontos nodais dos rostos que capturam, e assim a “Imensa Máquina” sabe onde todos estão.

Um Peregrino é uma pessoa que tem a habilidade de “viajar” para outros mundos. É como se a alma saísse do corpo e fosse para outra realidade. Essa habilidade é herdada, e não adquirida. A princípio, a Imensa Máquina desejava eliminar todos os Peregrinos, pois quando estes viajavam para outras dimensões voltavam com idéias revolucionárias, que tirariam o poder das mãos de quem controlava tudo. Mas depois, com o avanço da ciência (sim, era possível avançar mais), a Tábula passou a procurar Peregrinos para implantar sensores em seus cérebros e obter informações detalhadas sobre a “travessia” para outras dimensões.

Os Arlequins eram uma tribo que viviam com um único objetivo: proteger os Peregrinos. Eles eram treinados desde a infância para estar alerta a todo o momento, desconfiar de todos e matar quem fosse necessário com as clássicas espadas Arlequins, facas, armas de fogo ou qualquer outro artefato que estivesse disponível.

A protagonista da história é Maya, uma Arlequim de personalidade forte. Para sintetizar as características desta personagem, imagine o extremo oposto ao da protagonista insípida da saga Crepúsculo. Pronto, aí está Maya na tua cabeça. Uma jovem ativa, forte, inteligente e que, quando criança, foi treinada pelo seu pai, Thorn, para ser uma excelente Arlequim.


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Livro: Google Android

Este é o primeiro livro técnico que entra na minha lista de livros “completamente lidos”. Por se tratar de um livro técnico, não tem muito o que explicar sobre ele.

É uma fonte excelente de informações sobre programação para Android, o sistema operacional do Google para celulares. Explica muito bem os conceitos básicos para que o leitor possa iniciar rapidamente a programação para aparelhos com esse sistema, desde que tenha conhecimentos prévios de Java e Orientação a Objetos. Conhecimentos básicos sobre threads com Java também ajudam a entender melhor os exemplos.

Apesar de ser um livro longo (pouco mais de 600 páginas), o autor abriu mão de detalhes que muitas vezes interessam aos programadores – por exemplo, a forma como alguns registros são armazenados no dispositivo – em benefício da cobertura de diversos assuntos diferentes, que vão desde como funciona a estrutura da API do Android até a utilização do GPS ou da câmera do aparelho. Para encontrar esses detalhes que os programadores tanto gostamos (ainda estranho a silepse…), nada melhor que a documentação do sistema.

Livro: Fernão de Magalhães

Eu me lembro que nos meus primeiros anos do ensino fundamental a “tia” falou que o Brasil foi descoberto quando alguns portugueses procuravam outro caminho para chegar às Índias. Como o assunto era o descobrimento do Brasil, foi só isso o que ela disse sobre as viagens transatlânticas daquela época. Ela não falou o motivo – pelo menos não de forma detalhada – pelo qual os nossos hermanos lusistanos procuravam aquelas terras. Se ela tivesse contado a história de Fernão de Magalhães pra nós, certamente a aula dela seria muito menos tediosa (confesso: nunca gostei de história, pelo menos da forma como me foi ensinada…).

No livro Fernão de Magalhães, Stefan Zweig explica direito essa história: Portugal e Espanha se valiam da Ilha das Especiarias para aumentar seu “PIB”, pois naquela época esses insumos – que hoje nos contentamos em chamar de “tempero” – custavam muito caro. Eram necessários dias a fio de navegação para trazer especiarias das Índias.


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Livro: O homem que foi quinta-feira

Tão estranha quanto o título do livro é a sua história: quinta-feira se refere à função do protagonista, e não o dia em que ele morreu ou foi pra algum lugar, como pensaram as pessoas que viram que eu estava lendo este livro.

Tudo começa com a discussão entre dois poetas sobre a natureza dos versos: um acredita que a inspiração vem de um universo ordenado e previsível, o outro acredita que sua origem está no caos da anarquia. Desse ponto em diante uma mistura completamente maluca de detetives, anarquistas, um monstrengo que vê todos e domina tudo e outros personagens de personalidades ímpares garantem uma história bem humorada que tem um final inusitado.