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Resolvendo problemas com Rails, RVM, openssl e readline no Ubuntu

Se você está começando a trabalhar com RVM no Ubuntu, pode encontrar alguns problemas de configuração quando tentar executar o script/console (Rails 2.x), como por exemplo:

no such file to load -- readline (LoadError)

ou ainda

no such file to load -- openssl (LoadError)

O site oficial do RVM oferece uma solução, mas que não se aplica a todos os ambientes.

Para resolver esse problema é necessário fazer o seguinte:

1) Instale as bibliotecas do openssl e do readline via apt:

$ sudo apt-get install libreadline6 libreadline6-dev openssl libssl0.9.8 libssl-dev libopenssl-ruby

2) Remova a versão instalada do Ruby via RVM e reinstale indicando os diretórios do readline e do openssl:

$ cd <diretório do seu projeto Rails>
$ rvm remove 1.8.7
$ rvm install 1.8.7 --with-readline-dir=/usr/include/readline/ --with-openssl-dir=/usr/include/openssl/

Este exemplo aplica-se à versão 1.8.7 do Ruby no Ubuntu 10. Faça as adaptações necessárias para adequar ao seu ambiente. Esta solução foi testada com a versão 2.3.10 do Rails – acredito que pode ser aplicada a outras versões também.

Funcionou com você em outras configurações? Deixe um comentário!

Livro: Vá aonde seu coração mandar

Uma avó que teve o relacionamento com a neta desgastado por razões adolescentes demais para uma mulher adulta escreve uma série de cartas que compõem este livro.

A avó já está numa idade avançada e vive apenas com o cachorro Buck, animal de estimação da neta. As cartas são escritas como que para “passar o tempo”, mas não serão remetidas à neta, pois ambas juraram não se comunicar quando a neta se separou da avó.

Nas cartas, a avó descreve coisas do passado e fala dos seus sentimentos de forma imparcial, comentando os erros cometidos pelas pessoas envolvidas nos episódios narrados – incluindo seus próprios erros – e procurando uma justificativa para o comportamento avesso da neta, além de lançar questões para que a neta repense sua postura rebelde, que na verdade servem para fazer o leitor refletir sobre as consequências dos seus atos, incentivando-o a tomar decisões baseando-se na coragem para ir aonde o coração mandar.

Livro: Miguel Strogoff

A história se passa no início do século XIX, quando a Rússia está sendo tomada por tropas tártaras rebeldes. O czar fica sabendo de Ivã Ogareff, um russo traidor, pretende se unir aos revoltados para matar seu irmão, o grão-duque de Ircutsque, na Sibéria. Para que o czar pudesse avisar seu irmão do perigo iminente, era necessário encontrar um homem que fosse capaz de transpor os sete mil quilômetros de distância que separavam Moscou de Ircutsque, que deveria ser o portador de uma carta com o aviso sobre a tomada da cidade. O homem escolhido foi o chefe dos correios do czar, Miguel Strogoff, que empresta seu nome ao título do livro.

Júlio Verne apresenta o protagonista como o herói da história. Mas não é um herói como o de outros contos. Miguel Strogoff apresenta-se como um ser humano que também tem problemas e enfrenta dificuldades no alcance de seus objetivos. A persistência, sua resistência física e o hábito de sobreviver a condições precárias no exercício de sua profissão eram os únicos recursos que lhe valeram durante sua trajetória rumo à Sibéria no meio da invasão tártara.

O acaso colocou Nádia em seu caminho, que também precisava ir a Ircutsque para ver seu pai, que estava exilado naquela terra. Mais tarde a moça mostrou-se uma companheira fiel e que desempenhou papel fundamental para que Miguel Strogoff pudesse vencer as barreiras no alcance dos seus objetivos.

Livro: Sob o olhar de Deus – memórias de um cirurgião

Hans Killian foi um grande cirurgião alemão que pariticipou como consultor cirúrgico do 16º exército alemão durante a 2ª Guerra (de novo, a guerra!). Neste livro ele narra alguns episódios que marcaram sua carreira, todos eles envolvendo um caso de cirurgia, mas nunca tendo a cirurgia como o assunto principal. Seu assunto principal é sempre o ser humano! Todos os casos apresentados no livro são emocionantes, e isso só é possível por causa do foco na alma das pessoas.

Na época em que ele começou sua carreira (por volta de 1925) já se falava no problema do médico preocupado com a técnica, que esquecia o ser humano. Isto quer dizer que muitas vezes os médicos se perdem no meio de tanta informação referente a como curar as doenças, perdendo de vista o ideal de curar seres humanos. E o autor vai ainda mais longe: ele divide esta culpa com os pacientes, pois eles se conformaram em procurar um médico apenas para curar suas enfermidades.

Quando vemos alguém dizer (ou nós mesmos passamos por essa situação) que foi ao médico e ele nem olhou “na cara” do paciente, já nem nos espantamos mais. É apenas mais um caso. E olha que foi um médico “do convênio” (contradizendo o famoso bordão “eu estou pagando!”). Esse não é um médico como o Hans Killian.

Mesmo sendo leigo no assunto medicina, a abordagem humanística desta obra cativa o leitor. A narração feita com brio e humildade deixa claro que o autor tem consciência da grande responsabilidade ao ter nas mãos a vida de outras pessoas, mas não tem o poder total de curá-las, uma vez que cada caso é como uma luta do médico e o paciente contra a doença e a morte. Por isso ele descreve a sensação da sua primeira cirurgia como se estivesse sozinho, sob o olhar de Deus – daí o título da obra.

Para Hans Killian, inspirado por pensadores antigos, o médico tem que curar o corpo e a alma. A cura só acontece quando o indivíduo retoma sua posição na natureza. E para isso é necessário que o médico tenha mais que habilidades clínicas: é necessário ter habilidades humanas.

Eu gostaria que esse tipo de livro fosse leitura obrigatória nas faculdades de medicina. Assim teríamos menos médicos tão cheios de si cuidando de nós. Um pouco de humildade faria qualquer médico entender que “o médico trata, mas Deus cura”.

Livro: Eugenia Grandet

Eugênia Grandet é a filha de um vinhateiro sovina que atrai os holofotes da narrativa durante a maior parte do livro. Ele é tão avarento que não quer que a esposa nem a filha saibam da sua fortuna. Vive reclamando, dizendo que “não tem vintém”.

A história deixa claro dois pontos: a infelicidade daquele que tem o dinheiro como fonte de alegria e a felicidade daquele que não se apega  aos bens perecíveis, realizando-se ao ajudar aos outros.

Filme: Le Concert

O concerto nº 1 de Tchaikovsky para violino (o único que ele compôs para este instrumento) é simplesmente fabuloso. Junte-se a ele uma história de superação e você terá um filme: Le Concert.

Andrei Filipov, um faximeiro e ex-maestro que não ostenta uma batuta há 30 anos se depara com uma oportunidade inusitada de reger a última peça que regeu até então: o concerto de Tchaikovsky para violino. Ele começa então uma corrida para reunir os antigos músicos, que não se veem nem tocam juntos há muito tempo para apresentar o concerto em Paris.

Seria inútil permitir que as linhas deste post se proliferem quando já existe uma crítica mais inspirada sobre o mesmo assunto  - leia no blog de um amigo meu O Concerto: Arte e Beleza que nos abrem à esperança. Mas não poderia deixar de citar duas frases que me chamaram a atenção durante o filme, que dispensam explicações posteriores:

Andrei escolhe uma solista que é muito famosa para fazer o violino solo. Mas está constantemente hesitante quanto a factibilidade do seu projeto. Ele manifesta sua preocupação em convidar esta solista que tem um cachê muito alto. A resposta do patrocinador é categórica:

É preciso ser exigente, caprichoso, se mostrar sério e profissional.

Depois de algum tempo reunindo as pessoas, quando se depara com muitas dificuldades, Andrei declara para seu amigo, que está ajudando a reunir os músicos, que vai desistir do plano. Além das dificuldades, ele se preocupa porque não rege há 3 décadas. E o amigo interpela o maestro:

Tchaikovsky está dentro de você, está no seu sangue. (…) Há 30 anos você nos embriaga com Tchaikovsky.

Um filme que só pela música já vale a pena. Veja o trailer:

Tecnologia a serviço do circo eleitoral

A eleição é considerada como sendo o evento mais importante da democracia, onde o povo manifesta quem quer que o represente para defender seus interesses perante as autoridades. Bom, esta é a teoria.

A prática é bem diferente: as crianças aprendem desde cedo que todos os políticos são ladrões, que o voto é uma obrigação (e como a maioria das obrigações, sem graça) e que devemos escolher os menos piores para votar. E foi assim que crescemos: habituados a ver tanta coisa errada, sem fazer nada a respeito, como meros espectadores do que acontece na sociedade onde vivemos.

Eu não sou uma exceção. Assim como a grande maioria dos cidadãos, não sou, confesso, muito atento à política. E intencionalmente me previno de ficar conversando sobre um assunto que eu conheço tão pouco. É como diz o ditado popular: religião e política não se discute. Religião não se discute simplesmente por respeito à opção do nosso interlocutor. Política não se discute porque é um assunto chato e insalubre – pode causar depressão. Eu me explico.
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Livro: A 25ª hora

O título do livro faz alusão a um momento onde todas as alternativas de socorro já não são mais possíveis, a última hora do dia já passou, não há mais nada que possa evitar a destruição do homem.

Essa introdução apocalíptica não é completamente minha. É a imagem passada por um dos personagens, um escritor. Ele cria o último volume do seu romance durante a história, entitulado, não coincidentemente, “A 25ª hora” – uma espécie de função recursiva, para os programadores que me lêem.

A história se passa em meio aos acontecimentos [sempre] bestiais de uma guerra, e o personagem principal é Iohan Moritz, um romeno que é levado injustamente a um campo de concentração de judeus na Romênia. A partir de então uma série de mal-entendidos faz que ele se passe por diversos campos de concentração em países diferentes, aos quais consegue sobreviver graças à sua ingenuidade e a companhia de seu amigo intelectual Traian Koruga – o escritor que deu o título ao livro.

É interessante como muitos autores levam seus personagens a situações extremas – como um campo de concentração ou um deserto – para mostrar os limites do Homem e a forma como somos levados pelo ambiente social em que vivemos a inverter os valores das coisas. Mas essa é uma reflexão que estou guardando para um próximo post sobre um livro que li há pouco tempo, mas que merece um cuidado especial para eu não seja injusto ao lhe escrever um resumo.

Keep smiling!

Livro: Um dia na vida de Ivan Deníssovitch

Neste livro, Ivan Deníssovitch Chukhov é um prisioneiro de guerra e a história conta um dia típico (ou atípico) que se passa no campo de concentração onde cumpre sua pena. O autor, Alexandre Soljenitsin, desenvolve a história com muita propriedade, pois foi prisioneiro entre 1945 e 1953. Aliás, foi exatamente durante o cumprimento de sua pena que ele decidiu escrever este livro.

Quem nunca esteve em um campo de concentração (principalmente como priosioneiro) tem uma ideia obscura de como deve ser a vida – ou a falta dela – lá dentro. E deve ser horrível mesmo. Mas não é assim que o autor mostra sua visão daquela prisão. Com um jeito “descolado” de narrar a história, algumas vezes em primeira pessoa e outras vezes em terceira, o autor mostra que é possível, mesmo estando em um lugar inóspito como aquele, ver o lado bom das coisas e encontrar nelas o prazer de viver, alimentando a esperança de chegar o dia de cumprir a pena e voltar à liberdade.

O desempenho de um trabalho feito com capricho, a apreciação de uma parca alimentação, a vantagem de negociar 200 gramas a mais de pão, a alegria de conseguir uma porção extra de kacha no almoço e a satisfação de ajudar os colegas no que for possível fazem com que Chukhov termine o dia se sentindo feliz por ter se dado tão bem e não ter apanhado ou ter sido mandado para a solitária. O autor mostra, desta forma, que a felicidade está, definitivamente, nas pequenas coisas da vida. Quantas pessoas livres e abastadas não se sentem felizes e não conseguem agradecer a Deus – mesmo não acreditando muito nEle, como Chukhov – por mais um dia de trabalho antes de dormir?

Livro: Ratos e Homens

Neste livro, Lennie e George são dois “peões”, como descrito pelo autor, que sempre andam juntos. Eles não tem família e nem onde morar, e vivem pulando de uma fazenda para outra, trabalhando e tentando juntar dinheiro para realizar o sonho que eles tem de comprar “um pedaço de terra” para “viver no bem-bom”. Eles tem plena consciência de que só tem um ao outro, como se fossem dois irmãos, sempre preocupados com o cuidado recíproco.

Eles nunca ficam muito tempo trabalhando e vivendo em uma única fazenda, porque Lennie, que tem uma força descomunal mas a mentalidade de uma criança, sempre acaba arrumando confusão, obrigando os dois amigos a fugirem de onde quer que estejam.

O personagem principal é Lennie. Com seu retardo mental, ele vive em função da fazenda que os dois sonham em conquistar, e seu principal objetivo é cuidar dos coelhos. Chega a ser cômica a forma como ele lembra dos coelhos a todo o instante. Ele não tem capacidade de lembrar de praticamente nada nem de avaliar o resultado das suas ações, mas esse sonho faz que ele perceba uma tênue linha que separa o que deve e o que não deve ser feito, para que George não o proíba de cuidar dos animais.


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