P.S.: Se eu fosse leitor desse blog acharia que o assunto aqui não era mais tecnologia, mas sim literatura, dada quantidade de posts sobre livros que eu venho colocando aqui. Mas acredito que esse conteúdo seja enriquecedor para meus queridos leitores, afinal de contas nem só de tecnologia vive o homem…

Depois de ler As Chaves do Reino, de A. J. Cronin, criei uma classificação própria para os livros que já li: os que falam sobre coisas da vida real e os que contam uma história inventada. Não me preocupei se já criaram uma classificação como romance, ficção, auto ajuda, etc, etc etc. Prefiro usar minha própria classificação.

Dos livros que contam histórias, As Chaves do Reino foi, até agora, o melhor livro que eu já li (o melhor sobre a vida real continua sendo A Última Grande Lição). Apesar de “contar uma história”, ele fala sim sobre problemas da vida real, mas a história é contada com uma riqueza tão grande de detalhes que você fica completamente submerso na história, sem se preocupar com as entrelinhas.

O livro conta a história do Padre Chisholm, que passou cerca de 30 anos como missionário em uma cidadela da China. O primeio capítulo do livro é entitulado “O Princípio do Fim”, e mostra um diálogo entre Chisholm e outro padre, que vem dizer que ele (Chisholm) deveria se aposentar por estar velho e ensinando coisas erradas ao povo, e por ter uma visão equivocada da realidade. No primeiro capítulo você tem a impressão de que o protagonista realmente tem uma concepção distorcida das coisas, da vida e da sua própria religião. É aí que Cronin começa a contar, a partir do segundo capítulo, a história de Chisholm desde a sua mais tenra idade, quando ele teve motivos de sobra para seguir a carreira de padre. Quando você chega ao último capítulo (cujo título é “O Fim do Princípio”), em apenas três páginas acontece o desfecho do primeiro capítulo, e é onde a opinião do leitor sobre todos os envolvidos na história é absolutamente diferente.

A riqueza de detalhes, tanto do ambiente onde a história se passa quanto do interior das pessoas, faz que o livro se torne tão emocionante que é capaz de fazer que nos sintamos na pele de Chisholm, tanto nas horas em que ele passa dificuldades, sem apoio, é desprezado, preso, massacrado, quanto nos momentos em que ele ajuda a erradicar uma peste que tomava conta da cidade ou quando ele muda o rumo de uma guerra (que faria que tudo o que ele construiu fosse derrubado e seu povo fosse massacrado e abusado).

Apesar de ser um livro que entra na minha classificação como “os que contam histórias”, ele é muitas, muitas vezes melhor que O Monge e o Executivo, que trata de um assunto da vida real. As Chaves do Reino teve os detalhes tão bem trabalhados que a história se parece real, enquanto o outro livro é tão desprovido de detalhes e tão manipulado que parece um livro de ficção.